sexta-feira, 11 de setembro de 2015

O CINECLUBE ZUMBIS APRESENTA: “O MEDO DEVORA A ALMA”


<ENTRADA FRANCA>


  *Após a exibição será feito o debate do filme.
*A intenção é levantar o debate sobre as últimas mortes envolvendo imigrantes na Europa, tema abordado pela obra já em 1974.

Local: Anfiteatro da Unemat.

Data e Horário: 12/09, às 19 horas

Título original: “Angst Essen Seele Auf”

Diretor: Rainer Werner Fassbinder

Produção: 1974

Lançamento: 5 de março de 1974

País de origem: Alemanha

Idioma do Áudio: Alemão

Elenco:
Brigitte Mira
El Hedi ben Salem
Barbara Valentin
Doris Mattes
Gusti Kreissl

Gênero: Drama / Romance

Tamanho do arquivo: 1.368 GiB

CLASSIFICAÇÃO: 12 anos

SINOPSE:

Emmi, uma viúva de 60 anos entra em um bar de Munique para escapar da chuva.É convidada por Ali, um negro muçulmano e 20 anos mais novo que ela, para dançar.O que leva Emmi a convidar Ali para passar a noite em seu apartamento e depois os dois começam a namorar.Mas todos a sua volta questionam e desprezam o relacionamento de ambos.

CRÍTICA:

A abordagem de Fassbinder é simples e direta, e ele desenha as situações com firmeza e objetividade, indo direto ao ponto. Cada cena tem grande intensidade dramática, o que transforma o filme como um todo em um melodrama vigoroso. O visual – cores fortes e básicas, com muito azul, amarelo e vermelho – reflete visualmente essa abordagem direta, como se toda a história estivesse sendo escrita com canetas de hidrocor, em fortes tons saturados. Há cenas maravilhosas, como o momento em que Emmi conta aos filhos adultos que vai se casar com Ali – um dos rapazes, com raiva, levanta-se e chuta a televisão, fazendo uma referência velada a outro melodrama sobre preconceito, “Tudo o que o Céu Permite”, do dinamarquês Douglas Sirk, grande ídolo de Fassbinder.
 
Como nos melhores melodramas, todos os personagens fora a dupla central são apenas rascunhos, existindo com a mera intenção de preencher papéis específicos exigidos pelo roteiro – a garçonete loira do bar, o dono da mercearia, as colegas zeladoras, os mecânicos. Eles entram e saem de cena rapidamente, e isso permite que o espectador enfoque apenas Emmi e Ali, e o tema que Fassbinder deseja: a dificuldade que todos enfrentamos para vencer determinadas imposições sociais, baseadas em preconceitos, em nome de qualquer coisa que se pareça com amor.

Embora reflita um período específico na história da Alemanha, o filme possui um charme universal, continua a possuir ressonância, e não apenas dentro do país europeu. Praticamente todas as grandes nações da Europa possuem comunidades terceiro-mundistas vivendo em seus intestinos; os argelinos lotam os subúrbios da França, os paquistaneses e indianos vivem em moquifos na Inglaterra (no Brasil, pense nos descendentes de africanos e ex-escravos). Desta forma, “O Medo Devora a Alma” pode ser considerado um filme-irmão de “Caché”, de Michael Haneke, e “Minha Adorável Lavanderia”, de Stephen Frears, que também abordam a questão do preconceito em, respectivamente, França e Inglaterra.

Curiosidades:

- O título, em alemão, foi deliberadamente escolhido segundo uma noção gramatical incorreta. Essa escolha faz referência à dificuldade do protagonista Ali em falar alemão.

Referências:
Emmi: Nós vamos ser ricos, Ali... e nós mesmos vamos comprar um pequeno pedaço de paraíso...
Ali: Porque um paraíso?
Emmi: Ah, é apenas uma extravagância minha...

Duração: 93 minutos



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